Igreja e sexualidade, quando um bispo dialoga com uma sexóloga

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18 Abril 2018

O livro: Emmanuel Gobilliard e Thérèse Hargot com Arthur Herlin, Aime et ce que tu veux, fais-le! Regards croisés sur l'Église et la sexualité (Ame o que você quer, faça-o! Perspectivas cruzadas sobre a Igreja e a sexualidade), ed. Albin Michel, pp. 256, € 19.

Um dos autores é bispo auxiliar de Lyon (um dos bispos mais jovens da França), a outra, de formação filosófica, é sexóloga e formadora da vida afetiva, relacional e sexual para os educadores. Nesse livro, D. Emmanuel Gobilliard e Thérèse Hargot cruzam seus olhares sobre a sexualidade e o ensinamento da Igreja sobre esse assunto.

A informação é de Clémence Houdaille, publicada por La Croix, 17-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ponto de partida do livro, uma reunião em Roma, no outono de 2017, para a preparação do Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, a ser realizado em outubro de 2018. Algumas dezenas de jovens vindos de todo o mundo expressaram suas expectativas sobre as grandes problemáticas contemporâneas ligadas à juventude. Educação, esporte, novas tecnologias, os temas se sucedem, mas, para grande espanto de Thérèse Hargot, nem a sexualidade, nem a afetividade foram mencionadas, nem sequer uma vez.

É um tabu ou uma questão de importância secundária para a Igreja? No entanto, afirma D. Gobilliard, "precisamos falar sobre sexualidade, uma vez que somos seres sexuados". "Quer queiramos ou não, a sexualidade é parte da nossa natureza, tem uma influência sobre a nossa relação com os outros, sejam quem forem, e também no nosso relacionamento com Deus", acrescentou o bispo.

O celibato - escolhido ou não - abstinência, fidelidade, escolha de um cônjuge, contracepção, homossexualidade, pornografia, todas essas questões são abordadas de maneira franca e sem complexos pelos dois autores.

O "carreirismo", a busca desenfreada por um "sucesso apostólico” é, para alguns sacerdotes, uma compensação por um celibato mal aceito e uma sexualidade pensada negativamente, adverte Mons. Gobilliard.

"O trabalho de todos nós, celibatários ou não, é aceitar nossa humanidade, afirma Therese Hargot. Para ter uma vida sexual e afetiva equilibrada, só há uma solução: saber reconhecer e dar um nome aos desejos do próprio corpo e às torpezas do próprio coração em vez de fugir dessas realidades".

Os diálogos trazidos no livro provam que a Igreja, através de seu ensinamento e através da voz de um bispo, também é capaz de um diálogo arrojado e atento às preocupações de cada um sobre o tema, sem sucumbir à facilidade de uma resposta binária permitido/proibido. Uma abordagem "influenciada pela teologia do corpo de João Paulo II, e pela abordagem misericordiosa do Papa Francisco descrita, em 2016, em Amoris laetitia", afirma Arthur Herlin, facilitador do diálogo.

Tanto mais lamentável, portanto, aparece a ausência dessa temática na reunião de preparação do Sínodo sobre os jovens.

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